Se existe uma frase capaz de piorar o quadro de quem convive com dor crônica, é esta: isso é tudo da tua cabeça. Ela aparece em muitas versões, algumas explícitas, outras só no olhar. E o efeito é sempre o mesmo, a pessoa para de falar.
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Se existe uma frase capaz de piorar o quadro de quem convive com dor crônica, é esta: isso é tudo da tua cabeça. Ela aparece em muitas versões, algumas explícitas, outras só no olhar. E o efeito é sempre o mesmo, a pessoa para de falar.
Poucas situações são tão delicadas quanto esta: um familiar que faz tudo certo, com a melhor das intenções, e ainda assim prejudica a recuperação de quem ama. Acontece com frequência no cuidado da dor crônica, e quase nunca por má vontade. Acontece justamente porque a vontade de ajudar é grande.
Quando alguém da casa passa a conviver com dor todos os dias, a mudança não acontece só na vida dessa pessoa. A família inteira muda junto, mesmo que ninguém perceba de imediato e mesmo que ninguém fale sobre isso em voz alta. Entender o que está acontecendo é o primeiro movimento para que essa mudança seja menos desgastante.
Existe um perfil de paciente que se repete nos consultórios com frequência incômoda: a mulher que sente dor pélvica há muitos anos, já passou por vários profissionais, ouviu explicações diferentes ou nenhuma explicação, e chegou a um ponto em que quase desistiu de procurar. Se essa descrição se parece com a sua, alguns pontos merecem ser ditos com clareza.
Existe uma situação que frustra muita gente e que raramente é explicada com clareza. A paciente fez os exames, seguiu o tratamento, talvez tenha operado, tudo aparentemente correu bem, e a dor continua.