Depende…

26 de agosto de 2020 1
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Meu filho mais velho, quando tinha entre três e quatro anos, começou insistentemente a perguntar, diante das mais variadas pessoas:

– Mamãe, ele é do bem ou é do mal? 

Ninguém escapava. Do porteiro da escolinha ao frentista do posto de gasolina. Nas primeiras vezes, mais por constrangimento do que por convicção, respondia: 

– Sim, meu filho, ele é do bem. 

Depois de dias, mais por transbordamento do que por qualquer motivo mais nobre, comecei a responder: 

– Não sei. 

Com a insistência incansável do guri, achei por bem levar a coisa mais a sério. Ele queria mesmo saber quem eram as pessoas a sua volta. Foi aí que eu respondi: 

–  Depende. 

Depende não é exatamente uma boa resposta. A ideia na verdade era tentar ganhar tempo para encontrar uma que fosse satisfatória. Porém, a escolha se revelou bastante interessante. Nos permitiu relativizar, olhar para inúmeras possibilidades. A partir daí, as conversas mudaram, ficaram mais maduras, mais profundas. Foi um grande avanço no caminho de construir uma versão mais realista do mundo ao nosso redor.   

Lembrei dessa história conversando com uma paciente em final de tratamento. Esse é o momento de nos questionarmos sobre como vamos seguir adiante. A ideia é consolidar o que conquistamos até aqui, sem a necessidade de fazer Fisioterapia para sempre. É o momento de pensarmos em como dar ao corpo condições de perpetuar os benefícios do nosso trabalho. Chegou a hora de refletirmos sobre atividade física continuada. 

– Então já posso começar a me exercitar? Exercício é bom para mim né? Qual exercício eu devo fazer? 

Lá estava eu de novo as volta com “Depende…” Dessa vez, a escolha da palavra não teve a intenção de ganhar tempo. O que eu queria dizer era isso mesmo. Não existe uma resposta genérica para questões tão específicas. Voltar, ou dar início à prática de exercícios regulares, depende das possibilidades e necessidades atuais de cada pessoa. Mesmo que ela já tenha tido uma vasta experiência com exercícios, depois de um trauma, de uma lesão, de uma crise de dor, o momento é outro.

As condições da estrutura, dos músculos, das articulações, aquilo que podemos tolerar de sobrecarga nesse momento, é que vão determinar o caminho a seguir. As  escolhas do que fazer, de como fazer, do quanto fazer, precisam ser adequadas a cada momento para cada indivíduo. São decisões fundamentais para o sucesso da empreitada.

Por isso, depende…

Texto por: Dra. Adriana Fernanda Coltro – CREFITO5/5715-F

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