Conselhos práticos e uma mensagem de esperança para quem convive com tendinite, tendinose ou dor crônica

Depois de tantos esclarecimentos sobre o que é um tendão, por que ele dói e como tratar essas dores corretamente, vale fechar com algo mais direto: o que, na prática, fica de recado para quem está enfrentando esse tipo de problema agora? Foi exatamente essa a proposta levada aos especialistas, e as respostas trazem tanto reflexão quanto esperança real.
Olhe para o seu estilo de vida, não só para o tendão
“Será que isso que está acontecendo não é, na verdade, um pedido de socorro?” – Dra. Francine Possebon Berlesi
Esse é o convite à reflexão deixado para o paciente: a dor pode não ser um evento isolado, mas a parte visível de algo maior. Um atleta, por exemplo, vale se perguntar se está focado apenas no prazer da atividade física, sem dar atenção suficiente ao fortalecimento e à recuperação do corpo. Já quem tem um trabalho braçal e repetitivo pode precisar repensar a forma como executa essas tarefas no dia a dia. Olhar para o próprio entorno, e não apenas para o local da dor, costuma revelar parte importante da solução.
A esse ponto soma se outro recado simples, mas essencial: não desistir na primeira tentativa que não der certo. O tratamento da dor crônica tem várias possibilidades, e elas só se esgotam de verdade quando são experimentadas. A persistência costuma fazer toda a diferença nos resultados.
Um tratamento desafiador, mas com etapas claras
Tratar um quadro crônico, como uma epicondilite lateral de longa duração, costuma ser desafiador, e exige que o paciente entenda a própria condição e participe ativamente do processo, ao lado do médico. Não existe tratamento milagroso, mas existem etapas que precisam ser respeitadas: inicialmente, as medidas convencionais, como fisioterapia e, quando indicado, anti-inflamatório. Quando essas medidas não resolvem o problema, é hora de considerar diagnósticos diferenciais, como uma possível compressão de um ramo do nervo radial na região do cotovelo, ou mesmo uma hérnia de disco cervical, que pode provocar sintomas parecidos. Nem toda dor lateral no cotovelo é, de fato, epicondilite, e manter essa possibilidade em mente evita anos de tratamento direcionado ao alvo errado.
“Não somos feitos de drogas, somos feitos de células”
Um dos pontos mais enfáticos dessa mensagem final tem a ver com o uso excessivo de medicamentos no tratamento da dor crônica, descrito como um problema de proporções nacionais e mundiais. Foram citados como exemplo medicamentos usados para dormir, como clonazepam e zolpidem, além de analgésicos opioides, como o tramadol. Segundo essa visão, o uso recorrente e pouco criterioso desse tipo de medicação pode, ao longo do tempo, prejudicar ainda mais o paciente, impactando negativamente a microbiota intestinal e contribuindo para a perpetuação do próprio quadro de dor crônica, principalmente quando associado a sedentarismo, sobrepeso e alimentação inadequada.
“Nós não somos feitos de drogas, nós somos feitos de células.” – Dr. Eduardo Malaquias
Vale reforçar aqui um ponto importante: nenhuma medicação, especialmente as que atuam no sistema nervoso, deve ser reduzida ou interrompida por conta própria. Qualquer ajuste nesse sentido precisa ser conversado e acompanhado pelo médico responsável pela prescrição.
O preparo do solo, mais uma vez, como base de tudo
Encerrando a conversa, fica reforçada a ideia de que cuidar do paciente como um todo, do sono à alimentação, da atividade física ao estado emocional, é o que realmente sustenta qualquer outro tratamento aplicado depois. Sem esse cuidado de base, mesmo as tecnologias mais modernas tendem a entregar resultados aquém do esperado. A dor, no fim das contas, costuma ser apenas um sintoma de que várias engrenagens do corpo não estão funcionando bem juntas, e tratar essas engrenagens é o que abre caminho para uma recuperação consistente.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo, o Dr. Eduardo Malaquias e a Dra. Francine Possebon Berlesi. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



