Tendinite tem cura ou vou conviver com isso para sempre? Mito ou verdade

Para quem já enfrenta uma tendinite há meses, ou até anos, essa pergunta costuma pesar bastante: existe mesmo uma saída definitiva, ou a dor vai continuar voltando de tempos em tempos? A resposta não é um simples sim ou não, mas há boas razões para manter a expectativa positiva.
Depende de qual tendinite estamos falando
“Vai depender de que tendinite, de que paciente, estamos falando.” – Dra. Francine Possebon Berlesi
O ponto de partida para responder essa pergunta é entender que tendinite não é uma coisa só. Uma tendinopatia aguda, com uma lesão pequena e recente, costuma responder bem à reabilitação, com o paciente retornando à atividade plena. Já um quadro crônico, que já dura um ou dois anos, com uma lesão mais grave instalada no tendão, é uma história diferente. Isso não significa ausência de melhora, mas significa que falar em cura, de forma genérica, exige antes entender de que tipo de tendinite e de que paciente se está falando.
A grande maioria dos pacientes melhora
Apesar dessas diferenças, a expectativa é positiva: a maior parte dos pacientes apresenta melhora significativa do quadro. Mas essa melhora raramente depende de um único fator isolado. Ela costuma vir de um conjunto de cuidados que vão muito além do tratamento direto no tendão.
O “preparo do solo”: tratar o paciente como um todo
“A gente chama isso, na medicina regenerativa, de preparo do solo.” – Dr. Eduardo Malaquias
A ideia por trás dessa expressão é simples de entender: antes de esperar que um tratamento local funcione bem, é preciso que o corpo, como um todo, esteja em condições favoráveis para regenerar o tecido. Isso passa por cuidar do sono, da alimentação, do metabolismo, da saúde intestinal, por ajustar medicações quando necessário, por acompanhar exames laboratoriais e por garantir uma reabilitação física bem conduzida. Quando esse conjunto de fatores está equilibrado, o potencial de regeneração do próprio tecido tende a ser bem maior.
As tecnologias modernas a favor da recuperação
Além desses cuidados de base, a medicina regenerativa conta hoje com diversos recursos que podem auxiliar a recuperação do tendão. Entre eles estão a terapia por ondas de choque, o laser de baixa intensidade e os chamados ortobiológicos, um grupo de tratamentos que inclui o plasma rico em plaquetas, derivados de medula óssea e exossomos. Cada uma dessas opções tem suas indicações específicas, e a escolha depende da avaliação individual de cada caso, mas, de forma geral, representam ferramentas que ampliam bastante as possibilidades de tratamento em comparação com o que existia no passado.
Em resumo
Dizer que toda tendinite tem cura garantida seria simplificar demais um processo que depende de vários fatores. Mas dizer que é preciso conviver para sempre com a dor também não reflete a realidade da maioria dos casos. Com diagnóstico adequado, cuidados gerais de saúde bem ajustados e, quando necessário, o uso de tecnologias regenerativas modernas, a expectativa é de melhora real e consistente para a grande maioria dos pacientes.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo, o Dr. Eduardo Malaquias e a Dra. Francine Possebon Berlesi. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



