Cirurgia de coluna: como saber se chegou a hora de operar?

Muitas pessoas convivem com dor lombar por meses ou até anos, alternando períodos de melhora e piora. Nesse caminho, surge uma dúvida inevitável: quando é o momento certo de considerar cirurgia?
Durante a conversa entre o Dr. João Rizzo e o neurocirurgião Dr. Ericson Sfreddo, essa pergunta foi explorada de forma muito direta, tanto do ponto de vista clínico quanto humano.
A seguir, você vai entender como esse momento é identificado, quais critérios devem ser considerados e por que a decisão não depende apenas de exames ou da intensidade da dor.
Urgência x Qualidade de Vida
Primeiro, é preciso separar os casos. Existem os chamados Red Flags (sinais de alerta, como perda de força ou incontinência urinária). Nesses casos, a cirurgia deve ser feita o mais rápido possível para evitar sequelas permanentes. Não é uma opção, é uma necessidade médica.
Porém, na grande maioria dos casos — envolvendo degeneração e doenças lombares crônicas — a cirurgia é eletiva. Ela serve para melhorar a vida do paciente quando o tratamento conservador (fisioterapia, medicação) já não surte efeito.
“Você vai me pedir para operar”
O Dr. João Rizzo compartilhou uma experiência pessoal de quando ele próprio foi paciente. Ao perguntar quando saberia a hora de operar, ouviu do colega: “Você vai saber. Você vai me pedir para operar”.
Isso não significa que o paciente faz o diagnóstico sozinho ou decide por conta própria. Significa que existe um ponto de saturação. Ocorre quando o paciente percebe que, apesar de ter feito tudo corretamente (fisioterapia, remédios, bloqueios), a melhora estacionou (atingiu um platô) e a qualidade de vida caiu a um nível insustentável.
O Tripé da Decisão
Para ajudar o paciente a visualizar se esse momento chegou, o Dr. Ericson Sfreddo utiliza o conceito do Tripé da Decisão. A cirurgia só deve ser considerada quando estes três fatores são analisados em conjunto:
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O Sofrimento (Além da Dor)
O sofrimento é subjetivo e não se resume apenas à dor física.
- Você está deixando de ir a restaurantes com amigos porque não consegue ficar sentado?
- Abandonou o esporte que amava?
- Tornou-se uma pessoa irritada (“chata”) com a família devido ao desconforto constante? Se a dor controla sua agenda e seu humor, o sofrimento é alto.
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O Benefício Técnico
O segundo pé do tripé é a avaliação médica. A cirurgia proposta oferece uma alta probabilidade de melhora? O procedimento técnico consegue resolver o problema mecânico que causa a dor?
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O Risco
- Nenhum procedimento é isento de risco.
- Tomar um anti-inflamatório tem risco.
- Atravessar a rua tem risco.
A cirurgia tem risco. O paciente precisa colocar na balança se o risco do procedimento é justificável frente ao tamanho do seu sofrimento atual.
A decisão pela cirurgia exige que o paciente assuma a responsabilidade pelo seu tratamento. Não é uma via de mão única onde o médico decide tudo.
Conclusão
O momento de operar, na ausência de sinais neurológicos graves, é quando o tratamento conservador se esgota e a vida fica limitada. Se você sente que sua rotina foi sequestrada pela dor e o médico confirma que há uma solução técnica viável, talvez seja a hora de conversar sobre o próximo passo.
Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



