Cirurgias de coluna: quando são indicadas e quais técnicas mais utilizadas

20 de janeiro de 2026
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Embora a cirurgia de coluna seja um tema que desperte muita curiosidade e até certa apreensão, a verdade é que ela é excepcional. A grande maioria dos pacientes com dor lombar ou dor ciática melhora sem procedimentos cirúrgicos. Apenas uma pequena parcela — a minoria — precisa de intervenção.

Durante a conversa entre o Dr. João Rizzo e o neurocirurgião Dr. Ericson Sfreddo, foram discutidos os principais tipos de cirurgias, a evolução das técnicas e os avanços que tornaram os procedimentos mais seguros, precisos e menos invasivos.

Qual cirurgia serve para o quê?

A técnica escolhida depende fundamentalmente do diagnóstico. De forma simplificada, os especialistas explicaram as correlações mais comuns:

  • Hérnia de Disco: O objetivo é remover a hérnia que comprime o nervo.
  • Canal Estreito (Estenose): A cirurgia visa “aumentar” o espaço do canal para liberar a passagem dos nervos (descompressão).
  • Espondilolistese: Conhecida como o escorregamento de uma vértebra sobre a outra. Nestes casos, geralmente é necessária a artrodese (fixação com parafusos) para estabilizar a coluna.
  • Deformidades: Correção do alinhamento da coluna, também utilizando instrumentação (parafusos).

A Revolução do Microscópio Cirúrgico

Segundo os médicos, o primeiro grande salto evolutivo na cirurgia de coluna foi a introdução do microscópio.

Antigamente, para operar uma hérnia ou descomprimir um nervo, era necessário fazer grandes incisões e remover uma quantidade significativa de osso e ligamentos apenas para conseguir enxergar o problema.

Hoje, o microscópio permite:

  • Visão ampliada e clara: O cirurgião vê detalhadamente a raiz nervosa, o disco e as articulações.
  • Cirurgias menos destrutivas: É possível resolver o problema com danos mínimos às estruturas saudáveis.
  • Incisões menores: Para uma hérnia de disco simples, por exemplo, a incisão pode ter cerca de 2 centímetros.

A Era da Endoscopia de Coluna

O segundo grande avanço, mais recente (consolidado nos últimos 5 a 10 anos), é a endoscopia.

A lógica da endoscopia é reduzir ainda mais o dano aos tecidos. Diferente da cirurgia aberta (mesmo com microscópio) onde é preciso afastar a musculatura, na endoscopia utiliza-se um sistema tubular. O endoscópio passa através das fibras musculares, como um túnel, sem precisar descolar o músculo do osso.

Isso resulta em:

  • Menor sangramento;
  • Menor dor pós-operatória;
  • Recuperação potencialmente mais rápida.

Tecnologia com Responsabilidade

É importante ressaltar que, embora a endoscopia seja uma técnica excelente, ela possui limitações. Como toda tecnologia nova, ela passou por uma fase de “super indicação” (tentativa de uso para todos os casos), mas hoje o mercado médico já compreende melhor onde ela é mais eficaz e onde as técnicas tradicionais ou microscópicas ainda são superiores.

O mais importante não é apenas a ferramenta (microscópio ou endoscópio), mas a indicação correta para o seu problema específico.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital