Qual a melhor posição para dormir?

26 de janeiro de 2022
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Reproduzo aqui uma conversa que tivemos, uma paciente e eu, ao término de sua sessão de fisioterapia. Falávamos sobre ergonomia, a adequação da mobília no seu ambiente de trabalho:

  • Me sinto melhor de uma maneira geral. Mudar a proximidade da cadeira em relação ao monitor e ao teclado fez toda a diferença para a minha cervical, até meus colegas comentaram. Nós mexemos em tantas coisas que eu fazia e não me dava conta. Só não falamos sobre a posição de dormir. Qual seria a melhor posição para dormir?

Dormir bem é parte importante da saúde de todos nós. As perturbações do sono interferem negativamente em inúmeros aspectos da vida. Adormecer envolve aconchegar-se, poder deixar os pensamentos vagarem sem que nenhum deles seja perturbador. Colocar o corpo em estado de quase ausência, aquela sensação de não querer estar em nenhum outro lugar. “Bom que seja assim. Bom quando é assim”.(1)

Penumbra ou escuridão, silêncio absoluto ou TV ligada bem baixinho, travesseiro entre os joelhos ou não, muitos travesseiros ou nenhum travesseiro, seja alto ou baixo. Cada um de nós tem seus próprios rituais para entrar no sono. Pode-se supor que quanto mais complexos esses rituais forem, maior a probabilidade que seja difícil de ser montado. Basta lembrarmos de como os adultos, tentando fazer um bebê dormir, vão criando rituais, às vezes tão complexos, que eles mesmos têm dificuldades para mantê-los. Digamos que o  bebê só durma no colo, sendo embalado e com alguém cantarolando: se ele acordar no meio da noite, todo o ritual vai ter de ser repetido e o bebê não aprenderá a adormecer de outro jeito.(2)

Pensando nisso, prefiro interferir o mínimo possível nos rituais de sono dos meus pacientes. A prioridade é tentar preservar ao máximo as preferências de cada um, evitando sempre que possível, agregar mais elementos para não tornar tudo ainda mais complexo.

Mas, então? Qual seria a melhor posição para dormir?

Na maioria das vezes, a melhor posição é a que aprouver, a que estamos acostumados, a que mais gostamos. Até porque não há uma regra que seja eficaz para todos e em todas as situações.

Muitas coisas acontecem ao longo da vida. Lesões, dores e intervenções cirúrgicas são exemplos de momentos nos quais pode ser necessário intervir, auxiliar o paciente na construção de condições favoráveis ao posicionamento do corpo. A ideia é minimizar ao máximo os desconfortos e o medo de que possa estar fazendo algo prejudicial, tão frequente nesses casos. Para tanto, lança-se mão de artefatos como almofadas, travesseiros, suportes, órteses, eventuais mudanças nos rituais de sono. Tudo que favoreça o aconchego, é bem vindo.

Nada como ter uma boa noite de sono.


Referência Bibliográfica

  1. Azevedo F. O Arroz de Palma. Ed. Record, 20⁰ edição, Rio de Janeiro, 2018.
  2. Käst-Zahn A, Morgenroth H. Jedes Kind kann schlafen lernen. Oberstbrink Verlag, 2000.


Texto por:
Dra. Adriana Fernanda Coltro – CREFITO5/5715-F
Imagem: Envato

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