Como evitar que a dor lombar evolua para cirurgia

27 de janeiro de 2026
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A cirurgia não é um “botão de reset“. Descubra por que o fortalecimento do Core e o controle de peso são as armas mais poderosas para proteger sua coluna, mesmo contra a genética.

Uma das perguntas mais difíceis e frequentes no consultório é: “Doutor, existe algo que eu possa fazer para não precisar operar?”.

Para responder a essa questão, o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo aprofundaram-se na relação entre anatomia, genética e estilo de vida. A conclusão é que, embora nem tudo esteja sob nosso controle, o paciente tem um papel determinante no desfecho do seu tratamento.

A cirurgia não é mágica

O primeiro conceito que precisa ficar claro é o limite da medicina. A cirurgia de coluna não funciona como um botão de “liga/desliga” que elimina todos os problemas para sempre, nem é um “transplante” que devolve ao paciente uma coluna de 18 anos de idade.

“A gente não conserta a ressonância. A cirurgia serve para resolver um ponto fora da curva, uma intercorrência num processo degenerativo que vem há anos.”

Ou seja, a operação corrige um problema mecânico específico (como uma hérnia comprimindo um nervo), mas a coluna continua sendo a mesma, com suas características de envelhecimento. Por isso, a cirurgia coloca o paciente “no rumo”, mas quem caminha essa estrada é a reabilitação.

O Tripé do Sucesso

Segundo os especialistas, para que um tratamento de coluna tenha sucesso a longo prazo, três fatores precisam estar alinhados. Dois dependem do médico e um depende exclusivamente de você:

  • Indicação Correta: Operar o problema certo no momento certo.
  • Técnica Adequada: A execução cirúrgica precisa.
  • Reabilitação (O papel do paciente): Sem isso, os dois anteriores perdem a eficácia.

Se não houver o compromisso do paciente com a mudança de hábitos e o fortalecimento após o procedimento (ou para evitar o procedimento), o risco de insucesso é alto.

O famoso “Core” e a proteção da coluna

Você provavelmente já ouviu falar que precisa “fortalecer o Core”. Mas o que isso significa na prática médica?

Não é apenas estética abdominal. O Core envolve a musculatura profunda do abdômen e da região lombar. Esses músculos funcionam como um “cinturão natural”. Quando estão fortes, eles assumem a responsabilidade de sustentar o corpo, retirando a carga excessiva que, de outra forma, recairia diretamente sobre as vértebras e os discos da coluna.

Tirar a carga da coluna através do músculo é uma das estratégias mais eficientes para evitar a progressão da dor.

Genética x Estilo de Vida: O que podemos mudar?

Há fatores que são imutáveis. O Dr. Ericson cita o exemplo de uma paciente jovem, de 21 anos, com discos intervertebrais extremamente desgastados (compatíveis com alguém de 60 anos), mesmo sem nunca ter feito trabalho pesado.

Isso é genética. Não temos como mudar o DNA ou a tendência natural dos seus discos desidratarem.

No entanto, podemos mudar o ambiente em que essa coluna vive. Se essa mesma paciente (ou você):

  • Mantiver o controle de peso;
  • Praticar atividade física regular;
  • Fortalecer a musculatura (Core);
  • Trabalhar a mobilidade;

As chances de ela precisar de uma cirurgia no futuro diminuem drasticamente.

Conclusão

A cirurgia pode ser inevitável em alguns casos, mas o agravamento da dor muitas vezes pode ser contido. A genética dita a resistência do seu “material”, mas é o seu estilo de vida — através do fortalecimento e do cuidado diário — que determina o quanto essa estrutura vai sofrer ao longo dos anos. A melhor forma de evitar a mesa de cirurgia é transformar o seu corpo na sua principal proteção.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital