Como evitar que a dor lombar evolua para cirurgia

A cirurgia não é um “botão de reset“. Descubra por que o fortalecimento do Core e o controle de peso são as armas mais poderosas para proteger sua coluna, mesmo contra a genética.
Uma das perguntas mais difíceis e frequentes no consultório é: “Doutor, existe algo que eu possa fazer para não precisar operar?”.
Para responder a essa questão, o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo aprofundaram-se na relação entre anatomia, genética e estilo de vida. A conclusão é que, embora nem tudo esteja sob nosso controle, o paciente tem um papel determinante no desfecho do seu tratamento.
A cirurgia não é mágica
O primeiro conceito que precisa ficar claro é o limite da medicina. A cirurgia de coluna não funciona como um botão de “liga/desliga” que elimina todos os problemas para sempre, nem é um “transplante” que devolve ao paciente uma coluna de 18 anos de idade.
“A gente não conserta a ressonância. A cirurgia serve para resolver um ponto fora da curva, uma intercorrência num processo degenerativo que vem há anos.”
Ou seja, a operação corrige um problema mecânico específico (como uma hérnia comprimindo um nervo), mas a coluna continua sendo a mesma, com suas características de envelhecimento. Por isso, a cirurgia coloca o paciente “no rumo”, mas quem caminha essa estrada é a reabilitação.
O Tripé do Sucesso
Segundo os especialistas, para que um tratamento de coluna tenha sucesso a longo prazo, três fatores precisam estar alinhados. Dois dependem do médico e um depende exclusivamente de você:
- Indicação Correta: Operar o problema certo no momento certo.
- Técnica Adequada: A execução cirúrgica precisa.
- Reabilitação (O papel do paciente): Sem isso, os dois anteriores perdem a eficácia.
Se não houver o compromisso do paciente com a mudança de hábitos e o fortalecimento após o procedimento (ou para evitar o procedimento), o risco de insucesso é alto.
O famoso “Core” e a proteção da coluna
Você provavelmente já ouviu falar que precisa “fortalecer o Core”. Mas o que isso significa na prática médica?
Não é apenas estética abdominal. O Core envolve a musculatura profunda do abdômen e da região lombar. Esses músculos funcionam como um “cinturão natural”. Quando estão fortes, eles assumem a responsabilidade de sustentar o corpo, retirando a carga excessiva que, de outra forma, recairia diretamente sobre as vértebras e os discos da coluna.
Tirar a carga da coluna através do músculo é uma das estratégias mais eficientes para evitar a progressão da dor.
Genética x Estilo de Vida: O que podemos mudar?
Há fatores que são imutáveis. O Dr. Ericson cita o exemplo de uma paciente jovem, de 21 anos, com discos intervertebrais extremamente desgastados (compatíveis com alguém de 60 anos), mesmo sem nunca ter feito trabalho pesado.
Isso é genética. Não temos como mudar o DNA ou a tendência natural dos seus discos desidratarem.
No entanto, podemos mudar o ambiente em que essa coluna vive. Se essa mesma paciente (ou você):
- Mantiver o controle de peso;
- Praticar atividade física regular;
- Fortalecer a musculatura (Core);
- Trabalhar a mobilidade;
As chances de ela precisar de uma cirurgia no futuro diminuem drasticamente.
Conclusão
A cirurgia pode ser inevitável em alguns casos, mas o agravamento da dor muitas vezes pode ser contido. A genética dita a resistência do seu “material”, mas é o seu estilo de vida — através do fortalecimento e do cuidado diário — que determina o quanto essa estrutura vai sofrer ao longo dos anos. A melhor forma de evitar a mesa de cirurgia é transformar o seu corpo na sua principal proteção.
Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



