O tratamento da Dor Crônica

14 de outubro de 2020
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Definimos dor crônica como aquela que apresenta uma duração maior que 3 (três) meses. Diferentemente da dor aguda, que é um mecanismo de defesa, a dor crônica apresenta-se como uma doença, tendo em vista as alterações que determina no sistema nervoso periférico e/ou central. Isto posto, fica mais fácil entendermos que o tratamento da dor crônica, que também difere da dor aguda, exige outros tipos de medicamentos e até mesmo de técnicas de tratamentos invasivos.

As causas de dor crônica são muito variadas, mas geralmente iniciamos com um tratamento conservador e somente em casos específicos de dificuldade em seu controle, lançaremos mão de técnicas invasivas.

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Na década de 1980 a Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo em vista as dores sofridas e sem controle nos casos de câncer, lançou uma escala em “degraus” (steps), na tentativa de controle das mesmas. Estes degraus associam medicamentos conforme a intensidade da dor e são até hoje a base para o controle da dor no câncer e muito utilizados em outras patologias que determinam dor crônica.

A intensidade da dor é mensurada como um dos Sinais Vitais. Sendo uma experiência pessoal e intransferível, classificamos a intensidade da dor de 0 a 10, conforme a percepção da mesma pelo paciente. A classificação é feita sendo 0 nenhuma dor, de 1 a 4 dor fraca, de 5 a 7 moderada, e de 8 a 10, dor forte. No primeiro degrau (dor leve), utilizamos analgésicos comuns, anti-inflamatórios não esteroidais, além de um medicamento adjuvante, como antidepressivos e/ou neuromoduladores.

Conforme a dor aumenta, passando para dor de média intensidade, iniciamos com o uso de analgésicos de potência intermediária (analgésicos opióides fracos) e, quando a dor é informada como intensa, associamos analgésicos opióides fortes, retirando o opióde fraco.

Teremos noção do controle do quadro de dor conforme fizermos a mensuração de sua intensidade ao longo do tratamento. Tendo como objetivo o controle efetivo da dor crônica por 4 a 6 meses, poderemos, conforme a patologia, fazer a tentativa de regredir tanto as doses quanto os medicamentos em si, após esse período.

Esta regressão deverá ser gradual e com orientação do médico assistente. Este tipo de analgesia é chamado de MULTIMODAL, no qual lançamos mão de medicamentos com mecanismos de ação diferentes, utilizando doses menores de cada um e, portanto, com efeitos colaterais menores do que com um único medicamento em doses altas. Normalmente se consegue obter controle satisfatório da dor, com analgesia multimodal, em 70% ou mais dos casos.

Procedimentos minimamente invasivos no tratamento da Dor Crônica

Se, mesmo com a utilização criteriosa de esquemas analgésicos para controle da dor crônica, não obtivermos sucesso, poderemos lançar mão de vários tipos de procedimentos minimamente invasivos. Existe uma gama muito extensa de procedimentos utilizados, sendo os mais comuns:

  1. Bloqueios anestésicos de ponto-gatilho (trigger-point);
  2. Bloqueios anestésicos de nervos periféricos;
  3. Bloqueios anestésicos de nervos cranianos;
  4. Bloqueios anestésicos do Sistema Simpático;
  5. Bloqueios e analgesia contínua epidurais;
  6. Bloqueios neurolíticos (mais utilizados na dor do câncer);
  7. Infiltração de facetas articulares (dores lombares e cervicais);
  8. Implante de bombas de infusão (dor oncológica, espasticidade);
  9. Implante de neuroestimuladores medulares (dores neuropáticas, como por exemplo a falha da cirurgia lombar);
  10. Radiofrequência (artrose de facetas articulares, dor pós-herpética).

Devemos considerar que, mesmo com os procedimentos invasivos, alguns tipos de dor podem apresentar necessidade de suplementação com esquemas analgésicos, normalmente com redução tanto de doses, quanto da quantidade de medicamentos.

E considerar ainda que: o objetivo do controle da dor crônica é para a melhora da autonomia, dignidade e qualidade de vida de nossos pacientes.

Texto por: Dr. Marcos S. Bicca da Silveira

Créditos da Imagem: Freepik 

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