A Importância do Tratamento Agressivo na Fase Aguda da Dor

Uma questão central no manejo do herpes-zóster é a necessidade de ser agressivo no tratamento, no sentido de levar a sério a dor da fase aguda. O consenso é que essa postura é fundamental.
A “herança” deixada pela neuralgia pós-herpética pode ser terrível. Por isso, não se deve negligenciar o tamanho da dor. É necessário utilizar todos os recursos disponíveis — claro, sempre ajustando as doses adequadas, visto que muitos são pacientes idosos.
O tempo do paciente e a falsa sensação de melhora
Muitas vezes, os pacientes chegam ao consultório dizendo que deveriam ter vindo antes. Eles relatam ter ficado em casa por um mês sofrendo com a dor, acreditando que ela iria embora assim que as “bolinhas” (lesões cutâneas) desaparecessem. Infelizmente, isso não acontece, e a dor da neuralgia vem crescendo ou se mantendo sempre alta após esse período.
Embora, sendo realistas, o ideal fosse o tratamento imediato, costumamos dizer aos pacientes que eles “chegaram na hora certa” — nem antes, nem depois — para acolher aquele momento de busca por ajuda. Mas o recado importante permanece: leve a sério a sua dor.
Pecar pelo excesso de zelo
Tratar a dor do herpes-zóster na fase aguda é uma maneira de prevenir o sofrimento futuro. A regra é clara: nunca deixe de pecar pelo excesso de zelo. É preferível ser cauteloso demais com a dor inicial do que enfrentar as consequências tardias.
Isso evita situações dramáticas, como receber pacientes com três ou quatro anos de neuralgia pós-herpética sem controle.
O impacto na qualidade de vida
Quando o paciente chega tardiamente, muitas vezes encara a consulta como sua “última tentativa”. Nesses casos, a conversa precisa ser realista: se conseguirmos ganhar 30% de alívio, já é uma vitória significativa.
No entanto, essa realidade é muito pesada tanto para o paciente quanto para a família, pois atinge diretamente a qualidade de vida. Por isso, o foco deve ser sempre a intervenção correta na fase inicial.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Luís Josino Brasil. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



