Um remédio chamado banho

7 de julho de 2021
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Em tempos de inverno, especialmente em dias de frio intenso, o banho se torna um desafio, e uma “matada” de banho não é incomum entre os mais temerosos de passar por choque de temperatura… Mas, na verdade, independente do clima que estamos passando, o banho é uma oportunidade ímpar de higiene e autocuidado. 

O uso da água como terapia se fortaleceu na era greco-romana, com o incentivo de Hipócrates, mas há indícios de que a hidroterapia teve início há mais de 2000 a.C.. O homem descobriu o poder da água como remédio principalmente para aliviar suas dores. A água pode ser usada de diversas formas como agente terapêutico. Ingerir água, realizar “escalda pés”, banhos de assento, compressas úmidas, entre outras, são formas de hidroterapia. A fisioterapia aquática é realizada com fisioterapeuta em piscinas terapêuticas, quando são realizadas massagens, alongamentos, exercícios, nados e métodos terapêuticos específicos, prescritos e realizados conforme cada caso.  

Tomar banho também é uma forma de hidroterapia, principalmente se adicionarmos a este hábito de higiene algumas ações bem simples. Iniciando pela temperatura, o ajuste adequado é importante. Banhos frios são mais utilizados para ativar o sistema simpático, despertar, “energizar”. Banhos tépidos e quentes são bem indicados para relaxar a musculatura, melhorar a irrigação sanguínea dos tecidos corporais, iniciando pela pele, que tem seus vasos sanguíneos dilatados pelo calor, que se dissipa para outros tecidos do corpo, melhorando a irrigação sanguínea e, portanto, a nutrição e a “toalete” dos tecidos e células corporais. A musculatura relaxa, a pressão arterial baixa e a frequência cardíaca também reduz. Tudo isso se soma à analgesia e ao bem estar fornecidos pelo banho relaxante. Se utilizarmos tapetes com superfícies com cerdas ou rugosidades, podemos esfregar os pés ensaboados sobre ele. Essa massagem abrasiva nas plantas dos pés, que têm muitos receptores táteis, serve como estratégia de higienização e prazer/relaxamento.

O uso de bucha vegetal ou esponjas abrasivas sobre a superfície da pele de todo o corpo também colabora com a terapia relaxante obtida durante o banho. Automassagem na região dos ombros, pescoço e mãos pode auxiliar no efeito analgésico do banho.  Além disso, alongamentos, desde que realizados com segurança, também são ótimas dicas de incentivo ao relaxamento e bem estar após o banho. Seja de ducha ou de imersão, um banho quente pode ser uma estratégia terapêutica para muitas pessoas com desconforto e dores corporais. Embora a entrada no banho durante o inverno seja um ato de coragem, a saída é bem mais tranquila, pois o corpo demora para dissipar o calor fornecido pelo banho quente. Um bom  banho é um remédio simples e eficiente, seja de ducha ou de imersão. Todavia, aconselha-se cuidado com a frequência de banhos de banheira ou com o tempo dispendido sob a ducha, que deve ser suficiente para relaxar, mas se prolongado demais incorre em alto consumo de água e energia para aquecimento. 

Ainda sonho com o dia em que nós, ocidentais, teremos barras, bancos e outras adaptações simples em nossos banheiros, equipados “de fábrica”, para ampliar a diversidade de atividades terapêuticas que podem ser realizadas durante o banho. Nesses novos tempos, periga até o banheiro vir com “bula”.

Texto por: Dra. Flávia Gomes Martinez – CREFITO 9304-F – CREF 2486-G/RS

Créditos da imagem: Freepik

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