Preciso de Ressonância para toda Dor nas Costas? Entenda quando o exame é necessário

Uma cena clássica no consultório médico: o paciente chega com dor nas costas e, antes mesmo de descrever seus sintomas detalhadamente, já pergunta: “Doutor, você vai pedir uma ressonância, uma tomografia ou um raio-X?”.
Existe uma cultura enraizada de que o diagnóstico só existe se houver uma imagem comprovando. No entanto, o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo explicam que, na maioria dos casos de lombalgia aguda, o exame de imagem não é apenas desnecessário, mas pode gerar confusão e ansiedade.
80% dos casos melhoram sozinhos
A estatística é clara e tranquilizadora: cerca de 80% dos pacientes com dor lombar aguda vão melhorar, independentemente da intervenção médica agressiva. O corpo tem uma capacidade natural de recuperação para inflamações musculares e “mau jeito”.
Nesses casos, investigar com exames complexos logo de início não muda o desfecho clínico. Pelo contrário, a medicina baseada em evidências sugere que devemos tratar os sintomas e aguardar a evolução.
- Quando devemos investigar? O exame de imagem torna-se obrigatório em duas situações principais:
- Quando há sinais de alerta neurológico (perda de força, alterações de sensibilidade, suspeita de doenças graves).
Quando há falha no tratamento conservador (o paciente tomou a medicação, fez repouso relativo, mas a dor persiste por semanas).
O erro de “esperar o exame para tratar”
Um relato comum trazido pelos médicos é o do paciente que sai da consulta com a receita dos medicamentos e o pedido do exame. Ao retornar, ele diz: “Doutor, não tomei o remédio ainda porque queria ver o resultado do exame primeiro para não mascarar a dor”.
Isso é um equívoco. O diagnóstico médico é feito, primariamente, pela conversa (anamnese) e pelo exame físico. O exame de imagem é apenas complementar. A dor deve ser tratada imediatamente para devolver qualidade de vida ao paciente; não é necessário “sofrer” aguardando um laudo.
A Coluna também tem “Cabelos Brancos”
Talvez o ponto mais importante desta conversa seja entender o conceito de envelhecimento natural da coluna.
“A coluna da gente também tem cabelo branco, ela também tem pé de galinha. A gente envelhece. E não é por isso que todo mundo que tem cabelo branco se sente mal com isso.”
Ao fazer uma ressonância magnética em um adulto, é muito provável que o laudo aponte degenerações, desgastes ou pequenas alterações. Isso é o que chamamos de “cabelos brancos da coluna”: sinais do tempo que são normais e, muitas vezes, não têm relação nenhuma com a dor que você está sentindo agora.
A importância da correlação clínica
O perigo de fazer exames sem critério é encontrar esses desgastes naturais e culpar eles pela dor errada.
O Dr. Ericson Sfreddo exemplifica: “É impossível um paciente ter uma hérnia de disco do lado esquerdo e a dor ser na perna direita“. Se o médico olhar apenas o exame, pode querer tratar a hérnia esquerda, mas o exame físico mostra que o problema é outro.
O que importa não é o que está escrito no laudo, mas sim se a imagem combina com o que o paciente sente. O exame físico aponta onde olhar; a ressonância apenas confirma.
Conclusão
Não se frustre se o seu médico não pedir uma ressonância na primeira consulta de uma dor aguda. Isso significa que ele está seguindo as melhores práticas médicas, evitando expor você a radiações ou procedimentos desnecessários e focando no que realmente importa: o alívio dos seus sintomas e a recuperação funcional. Confie no exame físico e no tratamento proposto.
Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



