Por que o tendão dói? Entenda essa estrutura e o motivo de a tendinite demorar tanto para melhorar

Dor no ombro, no cotovelo, no joelho ou no calcanhar que não passa com o tempo costuma ter um ponto em comum: o tendão. Esse tecido, que muitas vezes só lembramos que existe quando começa a doer, está por trás de boa parte dos quadros de dor relacionados ao movimento. Mas afinal, o que é um tendão, por que ele dói e por que esse tipo de problema costuma ser tão demorado para resolver? Entender essas respostas é o primeiro passo para lidar melhor com o problema e ter expectativas realistas sobre o tratamento.
O que é, afinal, um tendão?
O tendão é um tecido fibroso que faz a ligação entre o músculo e o osso. É graças a ele que a força gerada pelo músculo se transforma em movimento: quando o músculo se contrai, é o tendão que transmite essa tração até o osso, permitindo que o braço se mova, o joelho dobre ou o pé se estenda. Sem essa estrutura, simplesmente não conseguiríamos converter contração muscular em movimento articular.
Por que o tendão dói?
Como praticamente todas as estruturas do corpo, o tendão é inervado, ou seja, possui terminações nervosas capazes de captar estímulos e enviá-los ao cérebro. Quando ocorre uma lesão ou um estímulo além do que o tecido suporta, esses nervos disparam um sinal de nocicepção, que é justamente o mecanismo responsável por gerar a sensação de dor. Em outras palavras, a dor é o aviso do corpo de que algo no tendão não está bem, seja por sobrecarga, por uma lesão pontual ou por um processo que já se tornou crônico.
O grande obstáculo do tratamento: pouco sangue chegando até o tendão
Um dos motivos pelos quais as tendinites costumam ser tão difíceis de tratar tem a ver com a própria estrutura do tendão. Diferente de outros tecidos do corpo, ele é pouco vascularizado, ou seja, recebe pouco fluxo sanguíneo. E isso é um problema, porque qualquer processo de cicatrização, seja em uma inflamação aguda, seja em uma lesão mais crônica, depende justamente de um bom aporte de sangue para acontecer.
“Tudo que o tendão precisa para cicatrizar é um bom aporte sanguíneo.” – Dr. Eduardo Malaquias
Quando o sangue chega em pouca quantidade, o processo de reparo do tecido fica mais lento e mais difícil. É por isso que tendinites mais antigas, com pequenas lesões já instaladas no tendão, costumam ser mais resistentes ao tratamento do que quadros agudos e recentes. O grande desafio terapêutico, nesses casos, está justamente em encontrar formas de estimular o aporte sanguíneo na região, favorecendo a cicatrização de um tecido que, por natureza, não recebe muito sangue.
O que isso significa na prática
Entender essas duas características do tendão, ser uma estrutura inervada e ser pouco vascularizada, ajuda a explicar por que a dor aparece e por que ela pode demorar a melhorar. Não se trata de um problema simples de “inflamação que passa em poucos dias”, mas de um tecido que precisa de tempo, e muitas vezes de uma abordagem específica, para se recuperar de verdade. Reconhecer isso é importante para não desistir do tratamento no meio do caminho nem esperar resultados imediatos de algo que, biologicamente, tende a ser mais lento.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo, o Dr. Eduardo Malaquias e a Dra. Francine Possebon Berlesi. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



