Menos exames, mais movimento: O verdadeiro segredo da recuperação lombar

8 de janeiro de 2026
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Existe um desequilíbrio na forma como encaramos a dor nas costas. De um lado, médicos e pacientes dão uma importância excessiva aos exames de imagem (como ressonância e tomografia), solicitados muitas vezes sem necessidade imediata. De outro, subestimamos o que realmente funciona: o aspecto físico, a fisioterapia e a educação do corpo.

Nesta conversa franca, o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo fazem um “mea culpa” da classe médica e alertam: às vezes, tem-se “muito exame e pouco movimento”.

“Tratar para Mover”, não “Repousar para Curar”

Uma das evidências científicas mais fortes que temos hoje na medicina da coluna é: o paciente deve retomar suas atividades habituais o mais breve possível. O repouso prolongado, antigamente recomendado, hoje é visto como prejudicial.

É comum o paciente dizer: “Doutor, eu não consigo me movimentar com dor“. A resposta dos especialistas muda a lógica do tratamento: “Nós vamos tratar a sua dor justamente para que você se movimente“.

O objetivo das medicações e intervenções não é deixar o paciente deitado confortavelmente, mas sim permitir que ele volte a caminhar, ir à academia ou fazer fisioterapia, independentemente de ter uma doença degenerativa crônica.

O Mito das “60 Sessões de Fisioterapia”

Um ponto crítico abordado pelos médicos é a falta de padronização do chamado “tratamento conservador”. É frequente receber no consultório pacientes frustrados dizendo: “Eu já fiz 60 sessões de fisioterapia e não melhorei”.

Mas o que foram essas 60 sessões?

  • Foi um tratamento passivo (apenas “choquinho” e calor)?
  • Houve exercícios ativos?
  • Qual foi a qualificação do profissional?

Quantidade não é sinônimo de qualidade. É inaceitável realizar dezenas de sessões sem nenhuma evolução. Se o paciente não melhora, é preciso investigar o motivo: será que o método está errado? Será que é necessário um bloqueio analgésico para permitir que o exercício seja feito? Ou será que a medicação precisa ser ajustada?

A fisioterapia deve ser reavaliada constantemente. Se não há progresso, a estratégia deve mudar.

O Desafio da Padronização

Enquanto a cirurgia possui protocolos rígidos, o tratamento conservador no mundo todo ainda carece de padrão. Para uns, tratamento conservador é Pilates; para outros, é academia; para outros, é repouso.

Isso dificulta até mesmo a comparação em estudos científicos. Por isso, a educação do paciente é fundamental. O tratamento ideal envolve uma abordagem multidisciplinar onde o movimento é o protagonista. O trabalho de “formiguinha” de educar o paciente sobre a importância da atividade física é o que garante resultados duradouros.

Conclusão

Se você está em tratamento para dor lombar, não deposite todas as suas esperanças apenas no resultado de um exame ou em um remédio milagroso. O sucesso da sua recuperação passa, inevitavelmente, pelo movimento. Questione seu tratamento se ele for passivo demais e lembre-se: o corpo foi feito para se mexer, mesmo (e principalmente) durante a recuperação.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital