Dor e cirurgia: por que alinhar expectativas antes do procedimento é parte do tratamento

7 de maio de 2026
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Muitos pacientes chegam para uma cirurgia já convivendo com dor, seja ela aguda ou crônica. Esse contexto muda tudo: muda a estratégia da equipe médica, muda o que precisa ser conversado antes do procedimento e muda, principalmente, o que o paciente pode e deve esperar como resultado.

A conversa que precisa acontecer antes

Quando um paciente com dor crônica é candidato a um procedimento cirúrgico, o alinhamento de expectativas não é um detalhe. É parte essencial do cuidado.

A cirurgia, nesses casos, é uma alternativa dentro de um plano de tratamento mais amplo. Não é uma solução definitiva, e apresentá-la como tal seria um erro. O paciente precisa compreender o que está sendo tratado, quais são os objetivos reais do procedimento e o que, de fato, pode se esperar depois. Vender a ideia de que a cirurgia vai resolver todos os problemas de uma vez é criar as condições para a frustração.

E frustração, nesse contexto, não é apenas um problema emocional. Ela pode contribuir para a perpetuação do próprio quadro doloroso.

Não existe receita pronta para o tratamento da dor

Um dos pontos mais importantes para entender o cuidado em pacientes com dor é aceitar que não existe um protocolo único que funcione para todos. O tratamento da dor não segue uma fórmula. Por mais que existam evidências farmacológicas e combinações reconhecidas, a resposta de cada pessoa é diferente, e o processo terapêutico precisa ser construído caso a caso.

Isso fica evidente em algo aparentemente simples: quando se pede a alguém que classifique sua dor numa escala de zero a dez, o número quatro para uma pessoa pode ser completamente diferente do número quatro para outra. A dor é subjetiva por natureza, e qualquer abordagem que ignore essa subjetividade está partindo de uma premissa equivocada.

Construir o tratamento junto com o paciente

Para que o planejamento terapêutico faça sentido, o paciente precisa ser parte ativa da construção. Isso significa que ele precisa conseguir transmitir como sente a dor, o que muda, o que piora, o que melhora, e o que essa dor representa na sua vida. E a equipe médica precisa, de verdade, escutar e entender o que está sendo dito.

É a partir desse entendimento mútuo que se torna possível elaborar uma estratégia. Não a estratégia mais tecnicamente sofisticada, mas a que melhor se encaixa naquele paciente específico, naquele momento específico.

Quando esse processo acontece com cuidado, as chances de atingir os objetivos aumentam. Quando ele é ignorado, o risco é duplo: o paciente não melhora como esperava e ainda carrega a sensação de que não foi compreendido. Dois fatores que, juntos, dificultam qualquer evolução.

O que isso exige da equipe médica

Tratar dor exige tolerância à complexidade. Não há exame que meça dor com precisão. Não há um número que diga, com certeza, o quanto alguém está sofrendo. O que existe é a escuta, a observação, o ajuste contínuo e a disposição para mudar de estratégia quando o caminho escolhido não está funcionando.

Às vezes isso significa trocar uma medicação por outra da mesma classe. Às vezes significa repensar toda a abordagem. O que não muda é a necessidade de individualizar, de tratar a pessoa e não apenas o sintoma, e de manter o paciente como parceiro em cada etapa do processo.



Este texto foi produzido com base em uma conversa do
Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Rodrigo Boldo e Cassiano Teixeira. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

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