Cirurgias de coluna: quando são indicadas e quais técnicas mais utilizadas

Embora a cirurgia de coluna seja um tema que desperte muita curiosidade e até certa apreensão, a verdade é que ela é excepcional. A grande maioria dos pacientes com dor lombar ou dor ciática melhora sem procedimentos cirúrgicos. Apenas uma pequena parcela — a minoria — precisa de intervenção.
Durante a conversa entre o Dr. João Rizzo e o neurocirurgião Dr. Ericson Sfreddo, foram discutidos os principais tipos de cirurgias, a evolução das técnicas e os avanços que tornaram os procedimentos mais seguros, precisos e menos invasivos.
Qual cirurgia serve para o quê?
A técnica escolhida depende fundamentalmente do diagnóstico. De forma simplificada, os especialistas explicaram as correlações mais comuns:
- Hérnia de Disco: O objetivo é remover a hérnia que comprime o nervo.
- Canal Estreito (Estenose): A cirurgia visa “aumentar” o espaço do canal para liberar a passagem dos nervos (descompressão).
- Espondilolistese: Conhecida como o escorregamento de uma vértebra sobre a outra. Nestes casos, geralmente é necessária a artrodese (fixação com parafusos) para estabilizar a coluna.
- Deformidades: Correção do alinhamento da coluna, também utilizando instrumentação (parafusos).
A Revolução do Microscópio Cirúrgico
Segundo os médicos, o primeiro grande salto evolutivo na cirurgia de coluna foi a introdução do microscópio.
Antigamente, para operar uma hérnia ou descomprimir um nervo, era necessário fazer grandes incisões e remover uma quantidade significativa de osso e ligamentos apenas para conseguir enxergar o problema.
Hoje, o microscópio permite:
- Visão ampliada e clara: O cirurgião vê detalhadamente a raiz nervosa, o disco e as articulações.
- Cirurgias menos destrutivas: É possível resolver o problema com danos mínimos às estruturas saudáveis.
- Incisões menores: Para uma hérnia de disco simples, por exemplo, a incisão pode ter cerca de 2 centímetros.
A Era da Endoscopia de Coluna
O segundo grande avanço, mais recente (consolidado nos últimos 5 a 10 anos), é a endoscopia.
A lógica da endoscopia é reduzir ainda mais o dano aos tecidos. Diferente da cirurgia aberta (mesmo com microscópio) onde é preciso afastar a musculatura, na endoscopia utiliza-se um sistema tubular. O endoscópio passa através das fibras musculares, como um túnel, sem precisar descolar o músculo do osso.
Isso resulta em:
- Menor sangramento;
- Menor dor pós-operatória;
- Recuperação potencialmente mais rápida.
Tecnologia com Responsabilidade
É importante ressaltar que, embora a endoscopia seja uma técnica excelente, ela possui limitações. Como toda tecnologia nova, ela passou por uma fase de “super indicação” (tentativa de uso para todos os casos), mas hoje o mercado médico já compreende melhor onde ela é mais eficaz e onde as técnicas tradicionais ou microscópicas ainda são superiores.
O mais importante não é apenas a ferramenta (microscópio ou endoscópio), mas a indicação correta para o seu problema específico.
Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



