Cirurgia de coluna: por que o pós-operatório e a preparação são tão importantes quanto o ato cirúrgico

10 de fevereiro de 2026
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Quando pensamos em cirurgia de coluna, a maior preocupação dos pacientes costuma ser “a hora da cirurgia”, ou seja, o momento em que estarão no centro cirúrgico. Porém, como explicam o Dr. João Rizzo e o neurocirurgião Dr. Ericson Sfreddo, o ato cirúrgico em si é, na maioria das vezes, a parte menos preocupante do processo.

O grande diferencial para um bom resultado está em dois momentos fundamentais:

  • A preparação adequada antes da cirurgia
  • O pós-operatório bem estruturado

Este texto explica por que esses fatores são tão importantes e como eles influenciam diretamente a segurança e a recuperação, especialmente em pacientes idosos.

O Bloco Cirúrgico é um ambiente seguro

Graças à evolução da medicina, o ato cirúrgico em si deixou de ser o momento mais preocupante do tratamento.

Hoje, operamos em hospitais de ponta, com:

  • Equipes de anestesia altamente qualificadas;
  • Equipamentos de monitoramento avançados;
  • Sinergia total entre a equipe e o cirurgião.

Quando você tem um grupo entrosado e uma boa estrutura, o risco intraoperatório é controlado. A verdadeira complexidade do tratamento reside em dois outros pilares: a preparação clínica (antes) e a reabilitação (depois).

A Decisão Compartilhada: O papel do Clínico

O cirurgião de coluna não deve tomar a decisão de operar sozinho, especialmente em casos complexos ou em pacientes idosos. É necessário envolver um clínico experiente (um expert) para avaliar o risco clínico.

“Se o cirurgião diz que tem indicação técnica, o clínico precisa dizer como está a saúde geral desse paciente. Ele não pode tomar essa decisão sozinho.”

Ter um bom hospital por trás significa ter acesso a UTIs e salas de recuperação que oferecem suporte para qualquer comorbidade (diabetes, pressão alta, problemas cardíacos) que o paciente possa ter. Isso qualifica a relação risco-benefício.

O Pós-Operatório: A Transição Cuidadosa

A cirurgia resolve o problema mecânico (como o canal estreito), mas o corpo precisa se recuperar. O paciente precisa ganhar massa muscular, fazer fisioterapia intensiva e retomar a alimentação adequada.

Para muitos pacientes idosos, sair do hospital (onde há enfermeiros 24h) e ir direto para casa pode ser uma transição muito abrupta.

A importância das Casas de Transição: Os médicos destacam que, muitas vezes, a melhor estratégia é transferir o paciente do hospital para uma clínica de reabilitação (casa de repouso especializada) antes de ir para o lar definitivo. Nesses locais, o paciente recebe:

  • Fisioterapia intensiva para ficar de pé com segurança;
  • Cuidados de enfermagem contínuos;
  • Ajuste da medicação e alimentação.

Essa “etapa intermediária” garante que o paciente chegue em casa mais forte e independente.

O Papel da Família e o Suporte em Casa

Estima-se que cerca de 20% a 25% dos pacientes idosos que operam a coluna (por exemplo, por estenose de canal) vão precisar de suporte extra em casa nos primeiros momentos.

A família precisa estar ciente e engajada. Não basta operar; é preciso organizar quem serão os cuidadores, como será a fisioterapia domiciliar e o suporte medicamentoso. O sucesso da cirurgia depende desse “alicerce” construído fora do hospital.

Conclusão

Não tenha medo da sala de cirurgia, mas tenha respeito e planejamento pelo pós-operatório. Escolher um bom hospital e preparar a estrutura de reabilitação é tão importante quanto escolher o cirurgião. O tratamento começa na indicação, passa pela cirurgia, mas só termina quando o paciente recupera sua qualidade de vida em casa.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital