Cirurgia de coluna: como saber se chegou a hora de operar?

3 de fevereiro de 2026
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Muitas pessoas convivem com dor lombar por meses ou até anos, alternando períodos de melhora e piora. Nesse caminho, surge uma dúvida inevitável: quando é o momento certo de considerar cirurgia?

Durante a conversa entre o Dr. João Rizzo e o neurocirurgião Dr. Ericson Sfreddo, essa pergunta foi explorada de forma muito direta, tanto do ponto de vista clínico quanto humano.

A seguir, você vai entender como esse momento é identificado, quais critérios devem ser considerados e por que a decisão não depende apenas de exames ou da intensidade da dor.

Urgência x Qualidade de Vida

Primeiro, é preciso separar os casos. Existem os chamados Red Flags (sinais de alerta, como perda de força ou incontinência urinária). Nesses casos, a cirurgia deve ser feita o mais rápido possível para evitar sequelas permanentes. Não é uma opção, é uma necessidade médica.

Porém, na grande maioria dos casos — envolvendo degeneração e doenças lombares crônicas — a cirurgia é eletiva. Ela serve para melhorar a vida do paciente quando o tratamento conservador (fisioterapia, medicação) já não surte efeito.

“Você vai me pedir para operar”

O Dr. João Rizzo compartilhou uma experiência pessoal de quando ele próprio foi paciente. Ao perguntar quando saberia a hora de operar, ouviu do colega: “Você vai saber. Você vai me pedir para operar”.

Isso não significa que o paciente faz o diagnóstico sozinho ou decide por conta própria. Significa que existe um ponto de saturação. Ocorre quando o paciente percebe que, apesar de ter feito tudo corretamente (fisioterapia, remédios, bloqueios), a melhora estacionou (atingiu um platô) e a qualidade de vida caiu a um nível insustentável.

O Tripé da Decisão

Para ajudar o paciente a visualizar se esse momento chegou, o Dr. Ericson Sfreddo utiliza o conceito do Tripé da Decisão. A cirurgia só deve ser considerada quando estes três fatores são analisados em conjunto:

  1. O Sofrimento (Além da Dor)

O sofrimento é subjetivo e não se resume apenas à dor física.

  • Você está deixando de ir a restaurantes com amigos porque não consegue ficar sentado?
  • Abandonou o esporte que amava?
  • Tornou-se uma pessoa irritada (“chata”) com a família devido ao desconforto constante? Se a dor controla sua agenda e seu humor, o sofrimento é alto.
  1. O Benefício Técnico

O segundo pé do tripé é a avaliação médica. A cirurgia proposta oferece uma alta probabilidade de melhora? O procedimento técnico consegue resolver o problema mecânico que causa a dor?

  1. O Risco

  • Nenhum procedimento é isento de risco.
  • Tomar um anti-inflamatório tem risco.
  • Atravessar a rua tem risco.

A cirurgia tem risco. O paciente precisa colocar na balança se o risco do procedimento é justificável frente ao tamanho do seu sofrimento atual.

A decisão pela cirurgia exige que o paciente assuma a responsabilidade pelo seu tratamento. Não é uma via de mão única onde o médico decide tudo.

Conclusão

O momento de operar, na ausência de sinais neurológicos graves, é quando o tratamento conservador se esgota e a vida fica limitada. Se você sente que sua rotina foi sequestrada pela dor e o médico confirma que há uma solução técnica viável, talvez seja a hora de conversar sobre o próximo passo.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital