Dor que não melhora: por que vale a pena revisar o diagnóstico

23 de julho de 2026 0
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Quando uma dor não responde ao tratamento, é natural pensar que falta mais tempo, mais sessões de fisioterapia ou um medicamento diferente. Mas existe outra possibilidade, menos lembrada e igualmente importante: a de que o diagnóstico inicial simplesmente não esteja certo. Em medicina da dor, essa reflexão é parte do trabalho, e pode ser justamente o que separa um paciente que segue sofrendo de um paciente que finalmente encontra a causa real do problema.

A atenção redobrada à dor neuropática

Um erro relativamente comum é deixar passar despercebido um componente neuropático na dor, ou seja, uma dor que tem origem em alguma alteração do próprio sistema nervoso, e não apenas no tecido que dói. Em clínicas especializadas em dor, essa preocupação acaba se tornando quase uma rotina de pensamento: diante de uma dor que não segue o padrão esperado, vale sempre perguntar se não há um nervo envolvido na história.

Por que reavaliar o diagnóstico faz tanta diferença

Pacientes que chegam a uma clínica de dor já costumam ter passado por diversos profissionais antes, muitas vezes carregando um diagnóstico que foi repetido de consulta em consulta, sem grandes questionamentos. O risco, nesses casos, é o profissional simplesmente aceitar essa conclusão anterior e seguir tratando dentro da mesma lógica, mesmo quando os resultados não aparecem.

“Eu sempre digo: sair da ilha e olhar de fora. O que foi que não foi visto, que não foi pensado? O que eu posso pensar diferente?” – Dra. Francine Possebon Berlesi

Antes de buscar um diagnóstico raro ou incomum, porém, vale revisar o básico: o paciente realmente fez o tratamento de forma adequada? A reabilitação foi concluída, ou foi abandonada no meio do caminho? Em alguns casos, o próprio paciente segue repetindo, sem perceber, o mesmo movimento ou esforço que provocou a lesão, o que impede a melhora mesmo com um tratamento correto.

Quando a dor no cotovelo não é “só” tendinite

Um exemplo prático ilustra bem essa lógica. Um paciente chegou ao consultório com uma epicondilite lateral crônica, já com dois anos de evolução, depois de ter passado por outros profissionais. As medidas habituais haviam sido feitas corretamente, incluindo medicação anti-inflamatória e fisioterapia, mas nada havia funcionado.

Diante desse cenário, fazia sentido considerar uma causa diferente para a dor. A investigação levou à identificação de uma compressão do nervo interósseo posterior, um dos ramos que passam pela região do cotovelo, numa área conhecida por às vezes comprimir esse nervo e provocar uma dor muito parecida com a da epicondilite lateral, o famoso cotovelo de tenista. O tratamento, nesse caso, envolveu um procedimento cirúrgico para descomprimir o nervo, e o paciente evoluiu bem.

O que esse tipo de caso ensina

A mensagem por trás desse exemplo não é que toda dor de cotovelo persistente seja, na verdade, um problema neurológico. É que, quando o tratamento correto é feito e a dor simplesmente não cede, vale a pena considerar diagnósticos alternativos, inclusive a possibilidade de uma compressão nervosa, antes de insistir indefinidamente na mesma hipótese inicial. Esse tipo de reavaliação, longe de ser um sinal de falha, costuma ser exatamente o que leva o paciente, finalmente, a uma solução.

Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo, o Dr. Eduardo Malaquias e a Dra. Francine Possebon Berlesi. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataforemas de streaming.


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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

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