Por que eu tenho tendinite? Entenda as causas e por que nem toda dor no cotovelo é epicondilite

28 de julho de 2026
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Uma das primeiras perguntas que surge quando alguém recebe o diagnóstico de uma tendinite, tendinose ou entesite costuma ser bem direta: por que isso aconteceu comigo? Foi algo que eu fiz de errado? A resposta, na maioria das vezes, não é simples nem única. E entender essa complexidade ajuda o paciente a lidar melhor com o problema, sem culpa desnecessária e sem buscar um único culpado onde, na verdade, existem vários fatores envolvidos.

Um problema multifatorial, não uma causa isolada

Na visão da medicina regenerativa, que tende a olhar o paciente de forma mais ampla, o tendão não sofre influência apenas do movimento que ele realiza no dia a dia. O sono, por exemplo, tem ganhado cada vez mais atenção nos estudos sobre processos regenerativos do corpo. Pacientes que não têm um sono realmente reparador apresentam maior propensão a desenvolver processos inflamatórios, principalmente em tendões e articulações.

O estado nutricional também entra nessa equação. Pacientes com sarcopenia, ou seja, com perda de massa e força muscular, tendem a apresentar mais quadros de tendinite. O mesmo vale para quem é sedentário, para quem está com obesidade e para quem apresenta deficiências nutricionais, como baixos níveis de vitamina D ou vitamina B12, além de outras alterações metabólicas. De forma geral, todos esses fatores aumentam a propensão a processos inflamatórios no tendão.

E o excesso de atividade física, conta também?

Do outro lado dessa equação estão os praticantes de atividade física, especialmente em esportes que exigem movimentos repetitivos, como o tênis. Nesses casos, a investigação costuma ser mais detalhada: será que é simplesmente o volume de treino? A técnica da batida? A forma como o atleta segura a raquete? Mesmo atletas muito bem treinados podem desenvolver tendinite, o que reforça que não existe uma única explicação. O excesso de tensão em determinada região, como ocorre no epicôndilo lateral do cotovelo, é apontado como um dos fatores associados ao surgimento da epicondilite lateral, mas, de novo, raramente é o único.

Nem toda dor lateral no cotovelo é epicondilite

“Nem toda dor lateral no cotovelo é epicondilite.” – Dr. Eduardo Malaquias

Esse é um ponto que merece atenção especial. É comum encontrar pacientes que já passaram por anti-inflamatórios, fisioterapia, infiltrações e todo tipo de tratamento conservador para uma suposta epicondilite, sem qualquer melhora. Em alguns desses casos, ao se aprofundar a investigação, descobre-se que a origem do problema é outra.

Uma das possibilidades é a compressão de um ramo do nervo radial numa região específica do cotovelo, conhecida como arcada de Frohse. Quando esse nervo fica comprimido nessa área, o sintoma gerado pode ser muito parecido com o de uma epicondilite lateral, levando a anos de tratamento direcionado para o problema errado.

Outra possibilidade é uma hérnia de disco na coluna cervical, com compressão de uma raiz nervosa que também pode provocar dor na face lateral do cotovelo. Nesses casos, além da dor, costuma haver outros sinais associados, como diminuição de força, dificuldade para estender o braço completamente e sensações de formigamento ou dormência, sintomas que diferenciam esse quadro de uma epicondilite comum, mas que muitas vezes passam despercebidos quando o foco do tratamento está apenas no cotovelo.

O que fica de recado para o paciente

Entender que uma tendinopatia raramente tem uma causa única ajuda a encarar o tratamento com mais paciência e menos autocrítica. E entender que nem toda dor parecida com epicondilite é, de fato, epicondilite, ajuda a saber quando vale a pena buscar uma nova avaliação. Se o tratamento correto já foi feito, dentro do tempo esperado, e a dor segue sem melhora, esse pode ser justamente o momento de questionar o diagnóstico inicial e investigar outras possibilidades.

Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo, o Dr. Eduardo Malaquias e a Dra. Francine Possebon Berlesi. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

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