Tendinite ou tendinose? Entenda a diferença entre essas duas fases do mesmo problema

É comum ouvir os dois termos em consultas, exames de imagem e até em conversas informais: tendinite e tendinose. Muita gente usa as palavras como se fossem sinônimos, mas elas descrevem momentos diferentes do mesmo processo. Entender essa diferença ajuda a compreender melhor o próprio diagnóstico e, principalmente, a entender por que o tratamento de um tendão machucado costuma exigir paciência.
Tendinite: a fase aguda do processo inflamatório
A tendinite corresponde à fase inicial e aguda da inflamação no tendão. Geralmente, esse quadro se instala em um período que vai de uma semana a dez dias e pode se estender por até três meses. É nessa janela de tempo que o processo inflamatório está mais ativo, com sinais característicos de dor, sensibilidade e, em alguns casos, edema na região afetada.
Tendinose: quando o tendão começa a se degenerar
A partir de aproximadamente três meses, o quadro tende a mudar de natureza. O tendão começa a passar por um processo de degeneração do próprio tecido, e é nesse momento que os médicos passam a usar o termo tendinose. Não se trata mais apenas de uma inflamação pontual, mas de uma alteração estrutural que se instala de forma mais crônica, podendo se estender por meses ou até por anos.
“De uma maneira geral, a tendinite seria uma fase aguda do processo inflamatório, e a tendinose seria uma fase crônica do processo inflamatório, com agudizações que podem ocorrer no meio de tudo isso.” – Dr. Eduardo Malaquias
A tendinose também pode doer mais, e isso confunde o diagnóstico
Um ponto importante é que a tendinose crônica não significa ausência de dor constante ou estável. Mesmo num tendão já degenerado, é possível haver episódios de agudização, em que a dor se intensifica novamente, lembrando os sintomas de uma tendinite. Isso acontece porque o processo inflamatório pode reaparecer dentro de um quadro que, na essência, já é crônico.
Na prática, isso explica algo que acontece com frequência nos consultórios: quando o paciente finalmente procura ajuda médica, muitas vezes o quadro já ultrapassou os três meses iniciais. Ou seja, em boa parte dos casos, o profissional já está diante de uma tendinose, e não mais de uma tendinite propriamente dita, ainda que o paciente descreva uma piora recente da dor.
Por que essa diferença importa
Saber em qual fase o tendão se encontra não é só uma questão de nomenclatura. Tendinite e tendinose representam estágios diferentes de um mesmo processo biológico, e isso influencia diretamente as expectativas em relação ao tratamento. Um quadro agudo tende a responder de forma mais rápida às medidas iniciais, enquanto um tendão já em processo de degeneração crônica costuma exigir uma abordagem mais prolongada e, muitas vezes, mais específica.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo, o Dr. Eduardo Malaquias e a Dra. Francine Possebon Berlesi. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



