A Lidocaína Transdérmica e a Estratégia Multimodal

Um componente importante no tratamento é a lidocaína transdérmica . É fundamental que os pacientes saibam uma regra de segurança: não se usa esta medicação na fase aguda, quando ainda existem feridas. Para a aplicação, a pele tem que estar íntegra.
A lógica do tratamento combinado
O uso deste medicamento obedece ao conceito de multimodalidade, ou seja, o uso de fármacos com mecanismos de ação diferentes. Não se trata de uma escolha excludente — “ou uso antidepressivo, ou uso anticonvulsivante, ou uso tratamento tópico”.
A ideia é usar tudo junto (“incluído”) para tentar a melhor resolução possível. Com essa estratégia, conseguimos usar doses menores de cada medicamento, evitando as “mega doses” que comumente provocam mais efeitos colaterais.
Uma medicação “preciosa” e de alta tecnologia
Embora a lidocaína seja uma substância antiga, sua apresentação transdérmica é considerada preciosa, sobretudo pela forma de liberação, que envolve alta tecnologia.
O que buscamos aqui não são os efeitos anestésicos locais da lidocaína, mas sim os seus paraefeitos, que são muito importantes na neuralgia localizada e pós-herpética:
- Efeito antialodínico (redução da dor ao toque);
- Estabilizador de membrana;
- Efeito antiparestésico.
Ao compararmos com medicamentos como pregabalina, duloxetina ou amitriptilina, a lidocaína transdérmica se destaca: ela é a única desse grupo que age diretamente na doença, pois estabiliza a membrana neuronal.
Quando o tratamento farmacológico não basta
Apesar de seus benefícios diretos, às vezes essa abordagem não é suficiente. Considerando a taxa média de resposta de 30% a 50%, em casos onde a dor persiste, pode ser necessário lançar mão de procedimentos minimamente invasivos.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Luís Josino Brasil. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



