O Diagnóstico da Neuralgia Pós-Herpética: A Clínica é Soberana

Frequentemente surge a dúvida se o diagnóstico da neuralgia pós-herpética depende de exames específicos ou se é puramente clínico. Para responder a isso, utilizamos uma máxima frequente na medicina (embora não absoluta): a clínica é soberana.
Portanto, o diagnóstico é, de fato, clínico. Se o paciente apresenta uma dor pós-herpes exatamente no mesmo local da lesão original, por mais de 30 a 90 dias após a cicatrização das feridas, raramente será necessário solicitar um exame complementar.
O papel dos exames e o diagnóstico diferencial
Eventualmente, poder-se-ia pedir um exame de eletrofisiologia, por exemplo. No entanto, como a área já está acometida, solicitar exames pode ser muito doloroso para o paciente.
O foco principal deve ser descartar outras causas, como:
- Outras neuropatias concomitantes;
- Uma compressão de nervo na mesma região.
Sabemos que a dor neuropática mais comum é a dor radicular de coluna (como a dor ciática). Ela é muito semelhante à neuralgia pós-herpética justamente por também ser uma dor neuropática. Por isso, é essencial excluir essas outras causas.
Documentação do quadro
Uma vez excluídas outras possibilidades e confirmada a história de herpes, fechamos o diagnóstico.
Para auxiliar, é possível utilizar escalas de dor específicas para esse tipo de condição. Elas ajudam a documentar bem o quadro, mas a base do diagnóstico permanece clínica.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Luís Josino Brasil. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



