Existe idade limite para cirurgia de coluna? Entenda quando operar o paciente idoso

“Estou muito velho para operar?” Saiba por que a medicina moderna avalia o risco-benefício e não apenas a data de nascimento.
Uma das barreiras mais comuns no tratamento da coluna é o fator idade. Muitos pacientes chegam ao consultório com dores incapacitantes, mas resignados: “Doutor, eu já estou muito velho para me operar“.
Nesta conversa, o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo desconstroem esse mito. A evolução da medicina não aconteceu apenas na técnica cirúrgica ou nos medicamentos, mas principalmente no suporte clínico. Hoje, a idade cronológica importa menos do que a condição geral de saúde e, acima de tudo, a qualidade de vida que resta ao paciente.
A Evolução da Segurança Clínica
Antigamente, operar um paciente idoso era um tabu devido aos riscos da anestesia e do pós-operatório. Atualmente, o cenário mudou.
Temos intensivistas e clínicos, como o citado Dr. Cassiano Teixeira, que dão o respaldo necessário para que pacientes com comorbidades (pressão alta, diabetes, problemas cardíacos) passem pelo procedimento com segurança.
A lógica dos intensivistas modernos é clara:
“A parte clínica a gente segura. O que a gente quer saber é a relação Risco x Benefício. Pode ter um risco alto, mas se tiver 100% de benefício para a vida daquele paciente, vamos fazer.”
O que mata mais: a cirurgia ou a imobilidade?
Este é o ponto crucial da discussão. Muitas famílias têm medo de que o idoso morra na cirurgia, mas esquecem que a dor e a imobilidade também matam — muitas vezes de forma mais lenta e dolorosa.
Um idoso que deixa de caminhar por causa da dor na coluna começa a desenvolver:
- Atrofia muscular grave;
- Depressão e isolamento social;
- Problemas pulmonares e circulatórios por ficar tempos prolongados na cama ou na poltrona.
Muitas vezes, o risco de não operar é maior do que o risco da cirurgia, pois a inatividade condena o paciente a um declínio rápido de saúde.
“Prefiro morrer a ficar com essa dor”
Para ilustrar a importância de ouvir o paciente, o Dr. Ericson relembra um caso marcante de uma senhora de 94 anos. Ela chegou ao consultório em cadeira de rodas, com um canal estreito lombar gravíssimo e muita dor.
A avaliação cardiológica foi dura: o cardiologista estimou um risco altíssimo de óbito durante o procedimento e contraindicou a cirurgia. A reação da paciente foi decisiva:
“Doutor, eu prefiro morrer a continuar vivendo com essa dor.”
Ela não estava brincando ou exagerando. A dor havia tirado toda a sua dignidade. A cirurgia foi realizada (com sucesso), devolvendo a ela a capacidade de viver sem sofrimento.
Isso nos ensina que o respeito à vontade do paciente é fundamental. Não se trata de operar todo mundo de qualquer idade, mas de não negar a chance de alívio para quem ainda tem vida pela frente, independentemente do número na identidade.
Conclusão
A decisão de operar um paciente idoso é complexa e interdisciplinar. Envolve o cirurgião, o clínico, a família e, principalmente, o paciente. Se a dor está tirando a vontade de viver e a mobilidade, converse com seu médico. Se houver suporte clínico, a cirurgia pode ser a ferramenta para devolver a qualidade de vida, transformando o “fim da vida” em um período de dignidade e movimento.
Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



