Endoscopia da coluna: o que é curva de aprendizado e por que ela importa na segurança da cirurgia

22 de janeiro de 2026
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Nos últimos anos, a cirurgia endoscópica da coluna ganhou destaque e vem sendo vista como uma grande promessa dentro da ortopedia e neurocirurgia. No entanto, como lembram o Dr. João Rizzo e o neurocirurgião Dr. Ericson Sfreddo, procedimentos novos em medicina nunca se consolidam da noite para o dia.

Toda técnica cirúrgica passa por um processo de amadurecimento — e esse processo envolve algo fundamental: a curva de aprendizado.

As Duas Curvas de Aprendizado

Durante a conversa, o Dr. João e o Dr. Dr. Ericson diferenciaram dois tipos de amadurecimento técnico:

  • A Curva do Método (Coletiva): É o tempo que a medicina mundial leva para entender os limites da técnica. Por exemplo: “A endoscopia serve para tudo ou apenas para casos específicos?”.
  • A Curva do Cirurgião (Individual): É a habilidade manual do seu médico com aquela ferramenta específica. Um cirurgião pode ser excelente em cirurgia aberta, mas ainda estar no início do aprendizado da robótica ou endoscopia.

O Perigo da “Super-Indicação”

Um dos maiores riscos das novas tecnologias é a chamada “super-indicação”. Isso acontece quando, na empolgação de usar um método novo (como a endoscopia), tenta-se aplicá-lo a casos onde ele não é a melhor escolha.

“Eu acho exagero, em alguns momentos, usar a endoscopia para um canal estreito grave, mas faz parte do aprendizado da técnica.” – afirma o Dr. Ericson.

O problema surge quando a técnica é forçada. Os médicos citaram que, em alguns grupos que estavam no início dessa curva de aprendizado, houve casos com altas taxas de retratamento (necessidade de operar de novo) porque a primeira cirurgia, feita pela técnica da moda, não resolveu o problema de forma definitiva.

Cuidado com a “Peregrinação” de Consultório

A endoscopia e as cirurgias a laser atraem muito a atenção dos pacientes, pois prometem cortes menores e recuperação rápida. Isso gera um fenômeno perigoso: o paciente que procura quem diga “sim”.

Muitas vezes, o paciente tem uma condição instável, como uma espondilolistese (escorregamento de vértebra), que necessita de fixação com parafusos (artrodese). Se o médico honesto diz que a endoscopia não resolve, o paciente procura outro, e outro, até encontrar alguém disposto a fazer o procedimento menos invasivo — mesmo que seja a indicação errada.

“Não é fácil no consultório dizer que a patologia do paciente não é para endoscopia. O paciente acaba peregrinando até encontrar alguém que faça. E isso pode levar a falhas no tratamento.”

A Regra de Ouro: Qual é a melhor técnica?

Para finalizar, o Dr. Ericson Sfreddo deixa um conselho valioso para quem vai operar:

“A melhor técnica para você é aquela que o seu cirurgião está habituado a fazer com excelência.”

A técnica pode variar, mas a segurança do procedimento depende das “horas de voo” do profissional. Entre uma técnica “moderna” que o médico operou poucas vezes e uma técnica “clássica” que ele domina perfeitamente, a segunda opção geralmente oferece maior segurança e previsibilidade de sucesso.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital