Dor Lombar: Quando a Mudança no Padrão da Dor Indica Algo Sério?

2 de janeiro de 2026
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Se você já convive com dor nas costas, saiba identificar quando o sintoma foge do padrão habitual. Entenda a relação com fraturas, uso de corticoides e novas compressões nervosas.

Quem sofre de dor lombar crônica costuma conhecer bem o seu próprio corpo. Sabe aqueles dias em que a dor é mais chata, sabe quando ela alivia e conhece os limites do movimento.

No entanto, um dos maiores receios dos médicos é quando o paciente normaliza o sofrimento e deixa de perceber que algo mudou. Durante a conversa, o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo destacaram um ponto fundamental: a banalização da urgência.

Muitas vezes, o paciente pensa: “Ah, é só mais uma crise, é normal porque eu já tenho problema na coluna“. Mas nem sempre é assim.

A Mudança do Padrão da Dor é uma “Red Flag”

A regra de ouro discutida pelos especialistas é a observação da mudança. Se a dor estava controlada ou tinha uma característica específica e, de repente, ela muda drasticamente de intensidade ou localização, isso é um sinal de alerta.

“A mudança da dor é sinal de alerta. O meu medo sempre é que os pacientes achem que aquilo é normal e banalizem a própria urgência.”

Se o sintoma “extrapola” o que você está acostumado a sentir, não assuma que é apenas uma piora da condição antiga. Pode ser um novo evento clínico.

Atenção às Fraturas: Quem corre mais risco?

Uma das causas dessa mudança repentina pode ser uma fratura vertebral, que muitas vezes ocorre sem um grande trauma, especialmente em grupos de risco. O médico deve pensar em fratura — e o paciente deve buscar avaliação — quando se enquadra nos seguintes perfis:

  • Mulheres na pós-menopausa: Devido à maior incidência de osteoporose (enfraquecimento dos ossos).
  • Idosos em geral: Pela fragilidade óssea natural da idade.
  • Uso crônico de corticoides: Medicamentos que, quando usados por longo prazo, podem enfraquecer a estrutura óssea.
  • Pacientes oncológicos: Pessoas em tratamento de câncer ou com histórico da doença.

Nesses grupos, uma dor nova e aguda na região lombar deve ser investigada com exames de imagem para descartar fissuras ou fraturas nas vértebras.

De Dor Mecânica para Dor Neural

Outro exemplo prático citado na conversa ilustra bem essa mudança de padrão. Imagine um paciente que trata uma artrose na coluna há anos. Ele tem uma dor lombar localizada (mecânica) e vem evoluindo bem com o tratamento.

De repente, ele sente uma piora aguda e a dor passa a irradiar para a perna.

O que aconteceu? O quadro evoluiu. O que antes era apenas uma questão estrutural/mecânica (desgaste da articulação), agora se tornou uma síndrome de compressão de raiz nervosa. Houve uma mudança na “qualidade” da dor. Esse paciente precisa ser reavaliado imediatamente para entender o que causou essa nova compressão e ajustar a conduta terapêutica.

Conclusão

Não ignore os sinais do seu corpo. Ter um diagnóstico antigo de artrose ou hérnia não significa que toda dor futura será causada por ele da mesma forma. Se a dor mudou, ficou mais forte, irradiou para as pernas ou surgiu após uso prolongado de corticoides, procure seu médico. O diagnóstico diferencial é essencial para garantir sua segurança e qualidade de vida.

Este texto foi produzido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Ericson Sfreddo. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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O Projeto Educa Dor é uma ferramenta de informação em saúde, que busca levar de maneira clara, informações sobre os mais diversos conceitos envolvendo a dor crônica, seus tratamentos, métodos e diagnósticos.

Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital