O período de adaptação após o implante do neuroestimulador

Após o implante de um neuroestimulador, o processo de ajuste não é imediato. Segundo o Dr. Marcos Bicca da Silveira, o corpo e o aparelho precisam de um tempo de acomodação para que o estímulo elétrico alcance a eficácia ideal no controle da dor.
“É como um casamento”
O médico costuma comparar esse período de adaptação a um casamento: no início, são necessárias regulagens mais frequentes, até que o equilíbrio ideal seja atingido. Cada paciente responde de forma diferente, e a regulagem fina do aparelho depende da resposta do corpo, da localização dos eletrodos e da intensidade do estímulo necessária.
Primeiras semanas: o papel da cicatrização
Nos primeiros dias após o procedimento, é comum que pequenas quantidades de sangue permaneçam no espaço ao redor do eletrodo — seja em implantes feitos por punção ou por cirurgia aberta.
Até que esse sangue seja completamente reabsorvido, o eletrodo ainda não atinge sua eficácia máxima.
Por isso, os resultados mais estáveis costumam começar a aparecer entre 20 e 30 dias após o implante.
Ajustes graduais e fibrose local
Com o passar do tempo, pode ocorrer a formação de uma leve fibrose ao redor do eletrodo — um processo natural de cicatrização do organismo. Isso não representa risco e é facilmente corrigido com aumentos sutis na intensidade do estímulo, durante as consultas de acompanhamento.
Quando o corpo e o aparelho entram em sintonia
À medida que a medula vai se dessensibilizando e a dor é controlada, a necessidade de regulagens diminui.
Esse é o sinal de que o neuroestimulador está cumprindo seu papel principal: interromper a transmissão do sinal de dor e permitir que o paciente retome suas atividades com mais conforto e qualidade de vida.
Esse texto foi desenvolvido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Marcos Bicca da Silveira, disponível na íntegra no YouTube do Projeto Educa Dor, além das plataformas de streaming em formato podcast de áudio.



