Herpes Zóster e Neuralgia Pós-Herpética

21 de julho de 2021
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A Varicela, popularmente conhecida como Catapora, é uma doença muito comum em crianças. Trata-se de uma infecção viral primária, benigna e autolimitada. As principais características são as lesões na pele, acompanhadas de prurido (coceira), podendo ocorrer também febre moderada e sintomas sistêmicos. Depois de curada a doença, o seu vírus causador fica latente no sistema nervoso por toda a vida do indivíduo. Poucas pessoas sabem que, após a cura, o vírus que a causou permanece no corpo. Anos depois, pode ser reativado e causar herpes zoster. Em alguns casos, a cura do herpes deixa uma herança indesejada: A neuralgia pós-herpética – uma dor que pode durar meses ou até anos
A Herpes-Zóster é uma erupção cutânea viral (cobreiro) comum que afeta 300.000 pessoas por ano nos Estados Unidos. A maioria dos casos representa reativação do vírus varicela-zóster.

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A incidência aumenta com a idade e o grau de imunossupressão do hospedeiro. A doença pode se apresentar como uma síndrome de dor sem vesículas e representar um problema de diagnóstico.

O quadro clínico começa com dores frequentemente em queimação, ou choque, dormência (sensações de frio, calor, formigamento ou pressão sem estímulo causador), ardor e coceira evoluindo para lesões da pele. As erupções cutâneas costumam seguir o trajeto de um nervo específico. Mais da metade dos casos acontece na região torácica (53%), mas também há certa incidência na região cervical (20%), na região do nervo trigêmeo (15%) e na lombossacral (11%). A incidência de Herpes Zoster nos EUA é de 2 a 3 casos em cada mil pessoas. Em pessoas acima de 65 anos, este número aumenta para 12 em cada mil.

Geralmente, a Herpes Zoster evolui para a cura em algumas semanas, porém, em alguns casos (aproximadamente de 9 a 34%), o quadro de intensa dor persiste. Essa condição de dor persistente, que pode durar por meses ou até anos, é chamada de Neuralgia Pós-Herpética. O quadro de intensa dor crônica compromete em muito a qualidade de vida dessas pessoas e torna o tratamento algo mais desafiador.

A neuralgia pós-herpética também é mais prevalente em pessoas com mais de 50 anos de idade. A dor é muitas vezes intensa, sendo considerada uma das piores dores crônicas do ser humano e pode ser resistente aos analgésicos comuns. Em pacientes imunocompetentes com mais de 60 anos de idade, a vacina de vírus zoster atenuado reduziu a incidência de herpes zoster em 51% e a neuralgia pós-herpética em 66,5%. A vacina protege a maioria por no mínimo 6 anos. O melhor tratamento é a prevenção e além do uso de antivirais a dor deve ser tratada agressivamente.

O tratamento mais eficaz costuma se basear principalmente em dois recursos: medicações (como os analgésicos, os anti depressivos e os anticonvulsivantes) e os procedimentos minimamente invasivos da Medicina Intervencionista da Dor. Os procedimentos intervencionistas mais indicados para a Neuralgia Pós-Herpética são os Bloqueios Simpáticos, os Bloqueios Peridurais e a Radiofrequência pulsada. Em alguns casos, pode-se considerar a neuroestimulação. Como qualquer condição de dor crônica, o tratamento deve ser multidisciplinar e profissionais de saúde mental com formação no tratamento da dor devem fazer parte da equipe de tratamento da neuralgia pós herpética.

Texto por: Dr. Luís Josino Brasil – CREMERS 19661

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