O Tratamento da Neuralgia Pós-Herpética: Desafios e Estratégias

26 de março de 2026
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O tratamento da neuralgia pós-herpética é um desafio, tanto aqui quanto em qualquer lugar do mundo.

Embora o diagnóstico não seja dos mais difíceis para um médico de dor experiente, o tratamento é complexo e envolve muitas alternativas. Quando existem muitas opções terapêuticas, isso geralmente indica que o tratamento ideal ainda não está totalmente estabelecido: alguns pacientes são “respondedores” a uma técnica, enquanto outros não.

Analgesia Multimodal e Metas Realistas

De forma geral, é necessário individualizar o caso. A estratégia consiste em escalonar, ou seja, sair do tratamento menos agressivo para o mais agressivo, utilizando um conceito chamado de analgesia multimodal (múltiplos mecanismos de ação).

Ao receber o paciente, é fundamental traçar metas realistas junto a ele:

  • Redução da dor: A literatura médica indica que podemos esperar uma redução de 30% a 50% da dor.
  • Melhora funcional: O objetivo vai além do alívio da dor; busca-se recuperar a funçionalidade, pois é frequente que pacientes fiquem com o membro afetado ou a região intercostal praticamente “paralisados” pela dor.

Primeira Linha de Tratamento: Medicamentos

A primeira linha de tratamento é composta pelos antidepressivos e pelos gabapentinoides.

Gabapentinoides (Anticonvulsivantes)

Clinicamente, os gabapentinoides são classificados como anticonvulsivantes ou neuromoduladores. A pregabalina, por exemplo, embora classificada assim, já “nasceu” como um medicamento para dor.

Sua função é produzir a estabilização daquele “fio de luz desencapado”, controlando a anarquia dos impulsos nervosos. Ela atua, sobretudo, na modulação dos canais de cálcio que causam esse problema.

Antidepressivos (Moduladores)

Neste grupo, utilizamos os antidepressivos duais (que inibem a recaptação de noradrenalina e serotonina) e os tricíclicos.

  • Tricíclicos: São medicamentos mais antigos e possuem maior evidência na literatura para dor neuropática e neuralgia pós-herpética. Nós os chamamos de moduladores; atualmente, são raramente usados como antidepressivos pelos colegas psiquiatras.
  • Duais (ex: Duloxetina): O efeito analgésico costuma ser um pouco mais rápido do que o tempo necessário para obter um efeito antidepressivo.
    • Dosagem: As doses para dor costumam ser menores. Na média, é difícil passar de 60mg para dor, enquanto para efeito antidepressivo é muito comum o uso de 120mg (geralmente prescrito por psiquiatras).


Este texto foi produzido com base em uma conversa do
Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Luís Josino Brasil. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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Responsável técnico: Dr. João Marcos Rizzo - CREMERS 18903
Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

Por Marcelo Cezar - Marketing Digital