Características da Dor e a “Anestesia Dolorosa” na Neuralgia Pós-Herpética

Uma dúvida comum entre os pacientes é se a dor da neuralgia pós-herpética mantém as mesmas características da infecção aguda do herpes. A resposta é: sim, mas a causa muda.
Embora a dor do herpes tenha uma característica neuropática — pois o vírus é neurotrópico e causa lesão inflamatória no nervo —, na fase pós-herpética ela deixa de ser uma dor inflamatória (como a de uma infecção de garganta, por exemplo). Ela passa a se comportar de forma diferente, geralmente descrita como um choque elétrico e/ou queimação intensa. Pode ser contínua ou apresentar paroxismos, que são descargas neuronais súbitas.
A “perversão” dos sentidos e a anestesia dolorosa
Nesta fase, ocorre o que chamamos de uma “perversão do sentido” na área acometida. Além da alodinia, existem áreas que apresentam um comportamento paradoxal, conhecido como anestesia dolorosa.
É um contraste difícil de compreender à primeira vista:
- O paciente não sente o toque na pele (está amortecido);
- No entanto, sente dor e descargas naquela mesma região.
É um efeito paradoxal onde a área está dormente, mas continua doendo.
Este texto foi produzido com base em uma conversa do Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Luís Josino Brasil. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.



