Recuperação cirúrgica: como a preparação antes da cirurgia pode mudar tudo

28 de abril de 2026
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O cuidado com um paciente cirúrgico não começa na sala de operação. Começa semanas antes, com uma série de ações pensadas para que o organismo chegue ao procedimento na melhor condição possível e, depois, se recupere com mais segurança e rapidez. Essa é a base de um protocolo adotado mundialmente e que no Brasil ficou conhecido pela sigla ACERTO.

O que é o protocolo ACERTO?

O ACERTO é uma abordagem de cuidado multimodal no período perioperatório. Em vez de tratar cada fase da cirurgia de forma isolada, ele propõe um conjunto de ações integradas que cobrem o pré-operatório, o momento da cirurgia e o pós-operatório. O objetivo é reduzir complicações, acelerar a recuperação e fazer com que o paciente volte para casa mais cedo e em melhores condições.

O que acontece antes da cirurgia?

A fase pré-operatória é onde boa parte do trabalho acontece. Além da avaliação clínica tradicional, o protocolo prevê dois eixos fundamentais de preparação: a pré-habilitação nutricional e a pré-habilitação física.

A pré-habilitação nutricional é especialmente importante para pacientes oncológicos, muitos dos quais chegam à cirurgia já em processo de perda de peso ou em tratamento com quimioterapia. Oferecer ao organismo os nutrientes adequados, incluindo proteínas e imunonutrição, nas semanas que antecedem o procedimento, contribui para reduzir o risco de complicações.

Ao lado disso, a pré-habilitação física tem um papel igualmente relevante. Durante duas, três ou quatro semanas antes da cirurgia, o objetivo é ajudar o paciente a recuperar força muscular, independência funcional e capacidade para realizar suas atividades do dia a dia. Quando os dois eixos, o nutricional e o físico, caminham juntos, as evidências mostram uma redução real no risco de complicações cirúrgicas.

Outro aspecto que começa ainda no pré-operatório é a orientação sobre o que esperar depois da cirurgia. O paciente recebe informações claras: quando vai caminhar pela primeira vez, qual nível de dor é esperado no pós-operatório, e quais são os critérios para receber alta. Isso não é detalhe. Quando o paciente sabe o que está vindo, ele lida melhor com o processo.

Durante a cirurgia

No transoperatório, o protagonismo é do anestesista. Mas o trabalho feito antes continua presente: as decisões sobre o manejo anestésico já foram discutidas e combinadas com antecedência, garantindo coerência com tudo que foi planejado nas etapas anteriores.

O pós-operatório e a importância de agir cedo

Quando o paciente chega ao pós-operatório, ele já conhece a equipe e já sabe o que se espera dele. Sabe que vai para casa quando estiver tomando medicação por via oral, quando já tiver caminhado e quando conseguir realizar suas necessidades básicas sem ajuda. Esse alinhamento prévio torna o manejo muito mais fluido e facilita as orientações ao longo da recuperação.

Uma das preocupações centrais nessa fase é a prevenção de complicações sérias, como a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, condição em que coágulos formados nas pernas podem migrar para os pulmões. Para isso, são utilizadas medidas profiláticas, e o paciente é encorajado a se movimentar e a se alimentar o quanto antes. Não necessariamente grandes refeições, mas já iniciar líquidos e uma dieta leve faz diferença real na recuperação.

O que os dados mostram

Ao acompanhar o paciente em todo esse percurso, a equipe tem acesso ao histórico completo, o que permite decisões mais precisas em cada etapa. E os resultados que o protocolo ACERTO apresenta em suas publicações são consistentes: menor risco de complicações cirúrgicas e pacientes que recebem alta mais cedo e com mais qualidade de vida.

No fim das contas, o que muda é a perspectiva. O cuidado cirúrgico não é um evento único. É um processo que começa bem antes e termina bem depois da sala de operação.



Este texto foi produzido com base em uma conversa do
Projeto Educa Dor, entre o Dr. João Rizzo e o Dr. Rodrigo Boldo e Cassiano Teixeira. O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.

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Médico Anestesiologista com área de atuação em Dor - RQE 42946

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