Rede de apoio no bem-estar da mulher no pós-parto

Muito se fala sobre os cuidados com o bebê recém-nascido, mas pouco se fala — na prática — sobre o cuidado com quem acabou de se tornar mãe. O puerpério é um período de intensas mudanças físicas, hormonais e emocionais, em que a mulher precisa de muito mais do que conselhos: ela precisa de apoio real, concreto e afetivo.
Mais do que orientar diretamente a puérpera, o recado aqui é direcionado à família e à rede de apoio que a cerca. É esse suporte que pode fazer toda a diferença na saúde mental e física da mulher que acabou de dar à luz.
Puerpério: um momento delicado e transformador
Após o parto, é comum que a mulher vivencie uma montanha-russa hormonal e emocional. Mesmo sem entrar na seara da depressão pós-parto — que é um capítulo à parte e requer acompanhamento especializado —, muitas puérperas enfrentam ansiedade, insônia, estresse e esgotamento.
Além da sobrecarga emocional, há a privação de sono, geralmente agravada pela responsabilidade dos cuidados com o bebê, especialmente nos primeiros meses.
Ninguém pode amamentar por ela, mas todos podem ajudar
A frase é clara e resume o ponto central: ninguém pode substituir a mãe na amamentação, mas há inúmeras outras formas de aliviar sua carga. Pequenas atitudes fazem uma diferença enorme:
- Segurar o bebê após a amamentação, para que a mãe possa descansar;
- Oferecer refeições, lanches, água, sem que ela precise pedir;
- Incentivar momentos de autocuidado, como ir à fisioterapia, sair para caminhar ou conversar com amigas;
- Garantir que ela tenha tempo para dormir, comer e socializar, mesmo que brevemente.
A mulher não precisa passar por esse momento sozinha — e não deveria.
Criar um ambiente que acolhe e cuida
Cuidar da saúde mental da puérpera não depende apenas de medicações ou terapias. Depende, principalmente, de um ambiente que a acolha, respeite seu tempo e entenda suas limitações.
Por isso, a rede de apoio — que pode ser composta por parceiros, familiares, amigos ou vizinhos — tem um papel essencial. Oferecer apoio prático e emocional, sem julgamentos, é um dos maiores gestos de amor e cuidado nesse momento.
Conclusão: puerpério exige cuidado coletivo
O puerpério é um período intenso e, muitas vezes, solitário. Embora existam recursos terapêuticos importantes, o que a mulher mais precisa, nesse momento, é ser vista, ouvida e cuidada. O ideal, mesmo que nem sempre seja possível, é que a maternidade seja vivida com suporte, afeto e colaboração.
Falar sobre isso é um ato de saúde pública. Praticar isso é um ato de humanidade.
Esse texto foi desenvolvido com base na conversa entre o Dr. João Rizzo e a Dra. Monia Di Lara Dias, disponível na íntegra no YouTube do Projeto Educa Dor, além das plataformas de streaming em formato podcast de áudio.